Qual a importância de um espaço de escuta na família e como isso pode ajudar no novo ano na sua família?

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Culturalmente, temos o ano novo como um grande marco para autoavaliação e estabelecimento de novas metas. Pensamos em tudo o que atravessamos, superamos, onde falhamos e como podemos nos aperfeiçoar para vivermos os próximos 12 meses que virão. Esse hábito bastante importante para nosso aperfeiçoamento precisa ser também estendido à nossa família. Dentro dos consultórios de psicologia infantojvenil, um dos aspectos mais trabalhados nas consultas é a qualidade do diálogo dos filhos com seus pais. Que precisamos do diálogo para tudo na nossa vida – desde uma saída simples ao mercado até para uma negociação grandiosa – todos sabemos. E porque, mesmo tendo tal conhecimento, é tão desafiador termos diálogos que nos conectam uns aos outros? Percebo que essa essa resposta se encontra na dificuldade que temos em ouvir. Na era da informação, falar nunca foi tão importante. É preciso sempre ter opinião sobre o assunto da vez e, o mais importante, deixar isso claro. Defender o que se acredita é incentivado pelo nosso acesso cada vez mais fácil às redes e aos meios de comunicação de forma geral. A necessidade de expor o que pensamos não é nova, mas parece que provar pontos de vista e o que se tem como certo tem se tornado mais importante e urgente a cada dia. Na família, não é diferente: escutamos uns aos outros já pensando no que iremos responder, sem de fato estarmos presentes para o que é dito. Quando nos relacionamos com as crianças, esse movimento é mais do que automático: ficamos esperando uma brecha em suas falas para ensinar, corrigir e alertá-los sobre a vida. E a escuta? Bem, fica em segundo plano. Aliás, não ouvimos com o coração o que é dito; identificamos o assunto da fala e já temos nosso conjunto de verdades sobre o tema, o qual fazemos questão de despejar sobre os pequenos. O grande problema dessa escuta é que ela é superficial e vazia, não nos conecta uns com os outros. Na ânsia de provarmos nossos pontos, não construímos pontes com nossos filhos, que não têm atendidas as necessidades de serem ouvidos e validados.

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Se posso lhe sugerir um item para sua listinha de metas de 2021, permita-me sugerir “ouvir mais meus filhos e minha família”. Ouvir é uma dádiva que nos aproxima uns dos outros, que nos permite a construção de relações profundas e verdadeiras, a partir das quais podemos, efetivamente, ensinar virtudes e deixar fluir o amor sincero e incondicional. A escuta genuína por parte dos cuidadores desperta na criança um senso de pertencimento, importância e valorização, preditores de um bom desenvolvimento emocional e de uma melhor qualidade na relação familiar. Quando nos sentimos ouvidos, tendemos a ouvir melhor o que o outro tem a dizer e ensinar. É bem comum que pais desconectados de seus filhos tenham ótimas intenções de orientá-los sobre os melhores caminhos, mas, por não lhes fornecer um espaço de escuta, respeito e validação, não são bem recebidos nessa orientação que tende a ser interpretada como sermão, “lição de moral” ou como algo que não faz sentido. Ouça seu filho. Ajude-o a identificar o que diz seu coração e sua mente. Valide seus sentimentos para que você saiba, em riqueza de detalhes, do quê sua criança precisa e de que forma pode auxiliá-la no desenvolvimento das virtudes. De antemão aviso que a escuta é um exercício, o qual precisamos realizar com constância. Nem sempre serão ouvidas palavras confortáveis. Porém, garanto que é uma prática que vale a pena, pois proporciona uma conexão indescritível com seus amados familiares. Tenho certeza que será um grande presente para seu ano novo! Deixo como reflexão um trecho do livro de Adele Faber e Elaine Mazlish “Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar” (recomendo a leitura!): “É muito mais fácil contar seus problemas a um pai que está realmente ouvindo. Ele nem tem de dizer nada. Muitas vezes tudo o que a criança precisa é de um silêncio compreensivo.”.   Com carinho.

Quem é Jéssica Bicudo

Desde o início da faculdade já sabia que queria ser psicóloga infantil. E nessa abordagem, a transpessoal consciencial, tive a oportunidade de fazer terapia desde bem nova e pude olhar para o mundo de outra maneira. Através dela, também pude transformar outras famílias, assim como a minha também foi transformada.

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