As mãos sujas que constrói a alma: os riscos probabilísticos necessários no contato com o meio ambiente da criança

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“A criança precisa ser criada livremente. Precisa correr e cair cem vezes por dia, assim aprenderá mais cedo a se levantar. Ela pode e deve sentir dor. Sofrer é a primeira coisa que deverá aprender, para que quando seja adulto não acredite morrer a primeira picada e desmaie ao ver a primeira gota de sangue. […] É na infância, onde as dores são menos sensíveis, que devemos multiplicá-las, para poupá-las na idade da razão. (ROUSSEAU, 1999, p. 236) 

Existem muitos pais que na busca de oferecerem uma proteção e segurança para os seus pequenos, acabam retirando as experiências que proporcionam resiliência, perseverança, flexibilidade, autonomia, sensibilidade, pertencimento, altruísmo, cooperação e outras habilidades emocionais e virtuosas. Esse excesso acaba criando uma “bolha” que, consequentemente, a criança se torna cada vez mais vulnerável e dependente.

Este movimento se manifesta, comumente, em vários comportamentos. O Dr. Alírio de Cerqueira Filho, médio e psicoterapeuta, diz que por trás de todo comportamento existe uma intenção positiva, mas nem sempre está bem direcionada. Então, os pais quando tentam muito proteger os seus filhos têm uma intenção positiva, porém está mal direcionada, justamente, porque os efeitos são contrários aos que eles almejam.

Assim, os riscos probabilísticos necessários no contato com a natureza fazem com que a criança se torne cada vez mais segura e habilitada a passar pelas experiências desafiadoras que fazem parte da existência humana.

Não é fácil para o coração materno e paterno confiar nos pequeninos, mas é preciso lembrar que para a criança aprender andar ela precisou cair várias vezes. Até que seu corpo, compreendendo o equilíbrio, conseguisse sustentar-se em pé. Por isso, os pais são convidados a reconhecer que seus filhos são capazes e competentes.

Segundo a suíça Mikaela Oven, fundadora da Academia de Parentalidade Consciente, quando os pais estão confiando em seus filhos eles estão oferecendo o combustível mais significativo da vida: autoestima. A confiança dos adultos que são referências para a criança estimula ela a confiar mais nela mesma.

Podemos ainda fazer uma conexão com as orientações que Rousseau traz em sua obra “Emílio ou Da Educação”, na qual, ele traz uma educação natural. Ou seja, os pequenos precisam ser criados livremente, respeitando a liberdade e a própria natureza deles, educando-os em um ambiente livre e natural. Ele ainda afirma que a criança educada livremente na natureza terá mais facilidade para falar e aprender.

No livro Vitamin N: The essential Guide to a Nature-Rich Life (Vitamina N: um guia essencial para uma vida mais rica em natureza), o autor Richard Louv, escritor e jornalista norte-americano, cita algumas ações e alguns benefícios quando os pequenos entram em contato no ambiente ar livre e, assim, o indivíduo possa desenvolver uma ligação duradoura com o habitat natural, a saber:

    • Pequenos aprendizados levam o Ser a uma vida adulta com mais preparo, cognitivamente, emocional e no desenvolvimento de virtudes;
    • A experiência na natureza proporciona lidar com situações desafiadoras, estimulando o indivíduo a superar-se cada vez mais;
    • Ensina a virtude da esperança com reflexões que permitam elas visualizarem um mundo melhor a partir do amor, cuidado e pertencimento ao planeta;
    • Fortalece redes que estreitam laços no espaço do brincar livremente e também união e cooperação com os vizinhos para o cuidado de um parque na região;
    • É na parentalidade que os adultos conscientes incentivam as crianças a desenvolverem uma relação com a natureza;
    • As crianças aprendem sobre os ciclos da vida no planeta, seres vivos, alimentação, plantar e colher;
    • Estimulam a criança a se movimentar mais, colaborando para a diminuição do índice de obesidade infantil.

É possível concluir que as mãos sujas limpam a alma da ignorância, da inércia, da estagnação e das doenças. A geração hodierna está adoentada há muitos séculos, mas há esperança no futuro se as famílias, seio e reflexo da sociedade, começarem a se movimentar diferente para as crianças que estão sob suas responsabilidades.

Quem é Jéssica Bicudo

Desde o início da faculdade já sabia que queria ser psicóloga infantil. E nessa abordagem, a transpessoal consciencial, tive a oportunidade de fazer terapia desde bem nova e pude olhar para o mundo de outra maneira. Através dela, também pude transformar outras famílias, assim como a minha também foi transformada.

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