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A criança, naturalmente, nasce com a habilidade de se expressar. Nos primeiros meses explora o mundo de todas as formas possíveis, em seus primeiros anos ela consegue descobrir o valor das palavras e, assim, vai sentindo o sabor do desenvolvimento que desperta nela a todo instante o impulso da autoconstrução. Além disso, o ser humano é biopsicosocial e espiritual (conforme pontua o neuropsiquiatra austríaco, Viktor Frankl, em seu livro A presença amoroso de Deus) e por isso as experiências que o indivíduo passa ao longo da sua vida faz com que ele absorva de maneira positiva ou negativa estas situações vividas no meio social. Estas ocorrências são tão significativas que influenciam o modo do sujeito de pensar, sentir e agir diante da vida, aproximando-o ou fazendo se afastar da sua essência.

A educadora e terapeuta, Violet Oaklander, coloca em seu livro Descobrindo Criança uma reflexão muito interessante: “Recordo-me também que quando criança permitia a expressão do meu eu brincalhão e despreocupado (recebia muita aprovação), e certamente manifestava algumas lágrimas de dor e tristeza, e um pouco de raiva. Mas logo percebi que estas últimas causavam dor aos adultos que eu amava, e depressa aprendi a tomar cuidado em expressá-las. Penso que a maioria das crianças recebe esse tipo de mensagem, e em algum ponto começa no mínimo a reduzir a expressão desses sentimentos.

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É comum ainda tentarmos amenizar a dor, a tristeza ou a raiva que a criança está sentindo dizendo: “já foi, passou, passou”, “não foi nada, vem aqui que vou dar um beijinho”, “olha lá o passarinho!” ou “pode parar de manha, agora!”, entre outras várias formas de distrair  ou repreender na intenção positiva de querer ajudar o pequenino. Entretanto, essa maneira de reagir, na relação pais e filhos, pode enviar essa mensagem indireta que Oaklander menciona de reduzir as expressões naturais das emoções.

Não é estranho que temos hoje na nossa sociedade um número alto de pessoas que não sabem se expressar, bloqueando seus sentimentos e ainda temos a ilusão de que esse comportamento significa maturidade emocional. Ao contrário, a ciência psicossomática (que estuda os fatores sociais e psicológicos sobre os processos orgânicos no corpo e sobre o bem-estar das pessoas) nos comprova os malefícios de não saber bem direcionar os pensamentos e sentimentos.

Segundo Louise Hay, professora da metafísica e uma das referências em doenças causadas pelas emoções conduzidas de forma negativa, as dores, por exemplo, estão muito relacionadas aos sentimentos de culpa e o receio de ser punido. Já as doenças no fígado têm consequências do acúmulo de raiva e rancor enquanto o câncer está associado também aos ressentimentos. A retenção de líquidos, segundo suas pesquisas, são as intuições que não foram respeitadas ou foram bloqueadas e a gastrite tem a ver com os indivíduos que guardam as suas dificuldades para si mesmos ou possuem movimento de ilusão de controle. Além das doenças físicas, não nos esqueçamos das doenças psíquicas como a depressão, a ansiedade, etc..

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Atualmente, existem muitas vendas ou se ensinam a confeccionar as chamadas caixas das emoções, maletinhas dos sentimentos e várias outras terminologias para a criança se acalmar caso, por exemplo, ela esteja com raiva, medo ou tristeza. Estes kits de primeiros socorros, possuem geralmente spray antimonstros, bolinhas de sabão para controlar as emoções, lenços para recolher as lágrimas, pote da calma, uma bola para apertar quando estiver com raiva e muitas outras alternativas. Não me oponho a estas ferramentas lúdicas, porém não sinto que atinjam efetivamente seu objetivo da forma como são utilizadas ainda.

Pode-se pedir para a criança desenhar, por exemplo, a sua raiva para “descarregar” essa emoção, contudo se não são feitas reflexões com ela em torno da razão desses sentimentos, o que além do desenho ela pode aprender com essa experiência que ela está vivenciando com o amiguinho? O que a raiva causa no corpo e o que a tolerância faz no organismo? Diante dessas consequências, o que a criança quer escolher para ela? Qual o nível da raiva e quais exercícios ela pode fazer para ir diminuindo aos poucos essas emoções quando ela passa por aquela determinada situação? É engraçado que achamos as crianças inteligentes em tantas coisas, mas para pensar sobre si mesmas, as subestimamos.

Portanto, se queremos que nossos amores se tornem adultos saudáveis e vivam em conexão com seu Ser Essencial, sua luz interna, sua potencialidade ou suas forças pessoais como a Psicologia Positiva define, devemos, conscientemente aproveitar as experiências desafiadoras das crianças para falar com elas sobre si mesmas e, dessa maneira, bem direcionar os seus sentimentos para que quando ela sinta rancor e saiba como ressignificar esta emoção maléfica para seu corpinho em desenvolvimento.

O médico e psicoterapeuta Alírio de Cerqueira Filho diz que fomos “mal-educados a não tomar conhecimento de nossos sentimentos, a não refletir sobre nosso verdadeiro eu” e é a ausência dessas oportunidades que, quando adultos, temos enorme dificuldade de saber quem nós somos, do que gostamos, para que viemos e o que move o nosso Ser à felicidade.

Quem é Jéssica Bicudo

Desde o início da faculdade já sabia que queria ser psicóloga infantil. E nessa abordagem, a transpessoal consciencial, tive a oportunidade de fazer terapia desde bem nova e pude olhar para o mundo de outra maneira. Através dela, também pude transformar outras famílias, assim como a minha também foi transformada.

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