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Hoje apresento a vocês a Keka. Ela é uma criança de dois anos que tem muita dificuldade em dormir. Acabei de iniciar as sessões com ela e gostaria de compartilhar com vocês algumas situações que talvez possam estar passando no cotidiano de vocês.

Quando sua mãe Suzana me procurou, já não sabia o que mais fazer. “Jéssica, a Keka acorda aos gritos durante a noite, não aceita que outra pessoa a faça dormir senão a mim. Eu não sei mais o que fazer!”.

Pedi a ela que me relatasse a rotina da Keka, do acordar ao dormir. Boa alimentação, criança dócil, carinhosa, organizada, de “gênio forte” e na maior parte do tempo brincava muito concentrada e sozinha. Enquanto a mãe me relatava fiquei muito sensibilizada por ver que ela já estava no extremo da estafa emocional, sobrecarregada e muito cansada.

Como profissional, me envolvo em sentimentos de altruísmo pelo outro, por vezes choro e me emociono nas sessões. Porém, não devemos nos deixar viver emocionalmente a experiência que o outro está sendo convidado a superar. São os aprendizados que ele precisa naquele momento e a experiência continua sendo do outro. O que podemos fazer é cooperar e auxiliar essa família em sua jornada.

Outro ponto relatado foi que nos últimos dias a filha começou a pedir com frequência o tablet, que os pais permitiam na maioria das vezes, segundo a mãe. Quando negavam, o choro chegava a levantar a preocupação nos pais de que Keka pudesse até passar mal. Além disso, ela não dormia a soneca da tarde e tinha crises de raiva quando frustrada. Keka, acordava aos gritos durante à noite!

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No decorrer do relato, foi possível perceber várias demandas que já à primeira vista me fizeram compreender que a dificuldade do sono era uma das camadas a serem trabalhadas sem dúvidas. Existiam mais camadas a serem mexidas, para que não apenas a criança pudesse voltar ao desenvolvimento saudável, mas também seus pais pudessem sentir que suas necessidades estão atendidas.

No trabalho com criança, geralmente, se foca apenas no pequenino. Como se a criança fosse o problema ou ela tivesse determinado problema. Mas é útil refletirmos que o trabalho deve ser atender a necessidade de toda a família. Se a criança absorve o ambiente em que vive, isto é, seus pais, nada mais justo verificarmos quais necessidades dos pais não estão sendo atendidas, para que estes possam voltar à segurança e confiança em exercer a missão da parentalidade. Se os pais estão preenchidos, então, terão maior capacidade de oferecer aos seus pequenos o que precisam.

A mãe de Keka, Suzana, estava sem energia, olheiras fundas, ombros caídos, choro constante, mas dando tudo de si e querendo, com muito amor, ajudar a filha. Relatou que por vezes grita e perde a paciência com a pequena. Nesse momento a vi se preenchendo de culpa, por só ter percebido o ato depois que já havia falado. Precisávamos trabalhar para que esta mãe tivesse tempo para descansar, pelo menos o mínimo, com urgência.

Visto isso, refletimos sobre como poderíamos ajustar a rotina de Keka, para que a mãe pudesse ter um tempo para ela, e quais eram as pessoas da rede de apoio desta família que poderiam auxiliar. Neste sentido, é importante se conscientizar que na missão da mater/paternidade pode existir suporte e que está tudo bem em pedir auxílio. Buscando serem pais perfeitos, muitos esquecem-se de pedir ajuda para quem possa fazer este apoio. Você não é uma mãe ou um pai ruim por fazer isso. Keka, acordava aos gritos durante à noite!

Também é importante observar e planejar estrategicamente, caso não tenha uma rede de apoio, para que a rotina atenda as necessidades de toda a família. Se as pessoas da família estão bem e com as necessidades atendidas, isso será refletido na criança. Quando existem combinados que previamente foram dialogados entre o casal, isto flui com mais facilidade.

Com certeza haverão renúncias em ambas as situações, porém, será facilitado ter mais equilíbrio e menores oscilações de humor perante os desafios comuns da vida familiar.

Em um primeiro momento, não mexemos na rotina de sono de Keka. Continuamos atendendo a solicitação de dormir apenas com a mãe. Buscamos colocar seu descanso em outro momento do dia para que ela descansasse e recuperasse o sono da noite, oferecendo acolhimento à filha, apesar de ainda não ser o ideal.

A rotina precisa ser construída com base no que é possível naquele momento e não no ideal. A partir do momento que a família tem suporte para amadurecer os hábitos diários do núcleo familiar, aí sim ajustamos mais uma vez. Com pequenos passos, mas avançando sempre.

Sem sombra de dúvidas a missão de auxiliar no desenvolvimento de um indivíduo não é tarefa fácil. É trabalhosa e existem vários desafios ao longo da jornada. Contudo, estas experiências são oportunidades sublimes de superações como menciona a PhD em Psicologia, Shefali Tsabary:

“Ver a paternidade e a maternidade como um processo de metamorfose espiritual nos permite criar o espaço psíquico para atrair as lições dessa jornada. Como pai ou mãe, à medida que você for capaz de reconhecer que seus filhos estão na sua vida para promover uma noção renovada de quem você é, você vai descobrir o potencial deles para liderá-lo na descoberta do seu próprio ser verdadeiro.”

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A partir disto, a cada experiência, por mais dolorosa que seja, podemos extrair o melhor de cada um, aquilo que já nasceu para ser, tal como a semente que já possui todos os nutrientes para florescer. Keka, acordava aos gritos durante à noite!

Já estamos há algumas sessões experimentando alternativas na rotina familiar, fortalecendo as que deram certo e fizeram sentido para cada um da família de Keka. A mãe, finalmente, conseguiu perceber a importância de tirar um tempo para si. Foi lindo quando comecei a perceber que, aos poucos, um sorriso em seu rosto já era possível de ser observado, um semblante de leveza começava a se manifestar.

E neste momento você talvez esteja se perguntando: “Mas e a criança? Conseguiu dormir tranquila? Como foi para os pais conseguirem fazer com que a Keka dormisse a noite toda sem acordar aos gritos perguntando pela mãe?”

No próximo artigo retomaremos a partir daqui, relatando a implantação da soneca da tarde, a importância desse momento no caso da Keka e os resultados benéficos no sono da noite para ela e como foi consolidar este novo hábito em sua vida. Também trarei a quantidade de horas sono ideal, de acordo com a faixa etária, podendo, claro, ser analisado de acordo com a singularidade de cada coração.

Quem é Jéssica Bicudo

Desde o início da faculdade já sabia que queria ser psicóloga infantil. E nessa abordagem, a transpessoal consciencial, tive a oportunidade de fazer terapia desde bem nova e pude olhar para o mundo de outra maneira. Através dela, também pude transformar outras famílias, assim como a minha também foi transformada.

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